Eleições 2018: Debate Band - Guilherme Boulos (PSOL)


Oito candidatos à Presidência da República participaram na noite desta quinta-feira (09/08) de um debate na TV Bandeirantes. O debate, primeiro da eleição 2018, durou 3 horas e 13 minutos e só terminou na madrugada desta sexta-feira (10/08).

Guilherme Boulos (PSOL):

Emprego - "A nossa primeira medida, tomando posse como presidente da República do Brasil, vai ser revogar as medidas tomadas por esse governo do Temer. Reforma trabalhista, que agravou a situação dos trabalhadores e retirou direitos. Reforma da Previdência, que tentaram aprovar e nós não vamos deixar fazer. Também a emenda constitucional 95 que corta investimentos sociais. Nenhum país nunca saiu da crise sem investimento público. Nós vamos retomar investimento público com o programa 'Levanta Brasil", gerando emprego com investimento em infraestrutura, saúde, educação e moradia. Para isso vai ter que mexer nos privilégios dos mais ricos."

Reforma Tributária - "Nós vamos uma reforma tributária porque hoje no Brasil quem tem menos paga mais. Quem tem mais, paga menos. Trabalhador e classe média é que sustentam o Estado brasileiro. Você que tem um carro, paga IPVA. Quem tem um jatinho, um helicóptero, como alguns candidatos que estão aqui, não paga um real de imposto. Nós vamos acabar com essa esculhambação que representa hoje a desigualdade e os privilégios no nosso país."

Aborto - “Ninguém é a favor do aborto. Nós somos a favor do direito de as mulheres decidirem. O que nós não defendemos é que as mulheres continuem sendo presas ou morram porque fazem abortos nas condições mais precárias, como o dado que você própria [a jornalista] mencionou. Aliás, mulheres pobres e negras. Porque as mulheres mais ricas fazem [o aborto] em condições adequadas e em boas clínicas. O caso da Ingriane [Barbosa], que nós vimos esta semana na audiência do Supremo Tribunal Federal: jovem, mãe de três filhos e que foi levada pelas circunstâncias a fazer um aborto precário e morreu. No nosso governo, aborto não vai ser tema do Código Penal, vai ser tema do SUS. É um tema de saúde pública, respeitando o direito das mulheres."

Políticas para as Mulheres - "Nós vamos colocar outras políticas para as mulheres, como creche em tempo integral para as mães que trabalham e estudam, o que já era proposta da nossa querida companheira Marielle Franco, brutalmente assassinada. Nós vamos também ter um atendimento especial no SUS para as mulheres. Vamos ter políticas que assegurem igualdade salarial. Ao contrário do que já foi dito aqui, o governo pode e deve garantir que as mulheres ganhem os mesmos salários que os homens para o mesmo tipo de trabalho. Nós temos que combater o machismo estrutural neste país. Assegurar o direito ao aborto é um caminho. A igualdade salarial é outro. E políticas públicas em educação e saúde o nosso governo vai garantir. Eu tenho ao meu lado a Sônia Guajajara, liderança indígena, mulher nordestina, que também vai me ajudar a fazer isso.”

Bancos e Desonerações Fiscais - "O problema do Brasil não é falta de dinheiro. O Brasil é a oitava economia do mundo. Nós não somos um país pobre. Dinheiro tem. O problema é que ele está profundamente mal distribuído e em uma economia, uma forma de organização da sociedade cheio de privilégios. Nós vamos tomar três medidas. Primeiro, enfrentar o 'bolsa banqueiro'. Com essa dívida pública, com juros escorchantes, que estão entre os maiores do mundo. Segundo, o 'bolsa empresário'. R$ 280 bilhões só em desonerações fiscais nesse ano para grandes empresários, sem contrapartida de emprego. E terceiro, uma reforma tributária progressiva. Porque não é justo que o dono do Bradesco, que o dono do Itaú paguem menos imposto que o trabalhador brasileiro. Se a gente tiver coragem de mexer nos privilégios, encontra o dinheiro para fazer investimento público. Nós temos."

Atualização da Tabela do Imposto de Renda - Nós pretendemos sim [atualizar a tabela de imposto de renda], nós vamos fazer uma reforma tributária no Brasil. Porque hoje no nosso país quem tem menos, paga mais e quem tem mais, paga menos. Se você for ver, hoje, 49% de toda a arrecadação tributária do país é sobre consumo, e não sobre renda e patrimônio. Nós vamos atualizar a tabela do imposto de renda reduzindo, inclusive, para trabalhadores e para classe média que hoje pagam demais, e criando nova alíquota para superrico, para banqueiro, para gente que não paga. O professor universitário hoje paga a mesma alíquota de 27,5% que um grande banqueiro, que alguém que ganha 500, 600, 700, mil reais por mês. Isso é inadmissível. É por isso que nós vamos fazer essa reforma tributária, também tributando lucro e dividendo, taxando grandes fortunas como já está na Constituição há 30 anos e aumentando alíquota de imposto sobre grandes heranças. No Brasil hoje a alíquota máxima sobre herança é de 8%. Nos Estados Unidos é 40%. Não dá para ser desse jeito. Nós não podemos ter um Estado que seja um Robin Hood ao contrário. Tira dos pobres e da classe média para dar para os super ricos. Nós vamos corrigir o imposto de renda sim, para que quem tem mais, pague mais e quem tem menos, pague menos e vamos fazer uma série de medidas tributárias que vão permitir um plano de investimento público que vai voltar a gerar emprego nesse país, investir em educação, saúde, moradia e infraestrutura, que é o que o povo precisa."

Considerações Finais - "Tenho andado por este país e tenho visto muito cansaço com a política, muita indignação, mas também tenho muita esperança. Eu decidi ser candidato a presidente do Brasil porque estou indignado como você. E também porque tenho esperança. Esperança que eu vi nos olhos da Cristiane, na casa que ela ganhou com a luta dela e que eu tive orgulho de entregar as chaves. Cristiane me disse que muita gente disse para ela que não ia dar certo, que não tinha jeito. Mas com luta e esperança, ela conseguiu. Muita gente vai dizer para você que o Brasil não tem jeito, mas tem, desde que a gente faça política de um outro jeito, de um jeito novo, e é isso que a gente representa. Com coragem, com transparência e com olho no olho, como a gente, que vai sair deste debate e debater com você diretamente e responder às suas perguntas nas redes sociais. Aqui tem um novo jeito de fazer política, que não é o projeto dos 'Cinquenta tons de Temer' que está aqui. Todo mundo que vai falar depois de mim apoiou o golpe. Este projeto, o nosso projeto, é outro. É o projeto de Paulo Freire, de Zumbi dos Palmares, é o projeto de Marielle Franco. É um projeto que não tem medo de mudar o Brasil."

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Eleições 2018: Debate Band - Guilherme Boulos (PSOL) Eleições 2018: Debate Band - Guilherme Boulos (PSOL) Reviewed by Jornal dos Canyons on 08:01:00 Rating: 5

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