A Explicação do BC sobre a Inflação de 2022
Pelo segundo ano consecutivo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, precisou endereçar explicações ao poder executivo sobre o estouro da meta de inflação. Em carta aberta, Campos Neto afirma que o estouro está relacionado aa inércia inflacionária vinda de um alto índice em 2021, ao preço das commodities e a retomada do setor de serviços, passada a fase mais crítica da pandemia de Covid-19.
“Os principais fatores que levaram a inflação em 2022 a ultrapassar o limite superior de tolerância foram os seguintes: inércia da inflação do ano anterior; elevação dos preços de commodities, em especial do petróleo; desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos e gargalos nas cadeias produtivas globais; choques em preços de alimentação, resultantes de questões climáticas; e retomada na demanda de serviços e no emprego, impulsionada pelo acentuado declínio da quantidade de casos de Covid-19”.
O BC destaca que, apesar do estouro, o índice desacelerou em relação a 2021, reflexo do teto do ICMS e da desoneração federal nos combustíveis e telecomunicações, bandeiras tarifárias de energia estabilizadas e também efeitos da política contracionista de juros, que começou o aumento em 2021 e encerrou 2022 com a Selic em 13,75%.
O IPCA, inflação oficial do país, fechou 2022 em 5,79%, segundo dados do IBGE também divulgados na terça-feira. Por regra, quando há um resultado fora do intervalo de meta, a autoridade monetária precisa justificar os motivos do estouro e também providências e prazos para trazer a inflação para o teto estabelecido.
No documento, Campos Neto afirma que há perspectiva de manutenção da taxa básica de juros em escala elevada para tentar conter um novo estouro da meta em 2023. No último relatório de inflação do BC, as projeções para o IPCA são de 5,0% em 2023 (queda de cerca de 0,8 p.p. em relação à inflação observada em 2022), 3,0% em 2024 e 2,8% em 2025, ante metas para a inflação de 3,25%, 3% e 3% — com margem de tolerância de 1,5 ponto para baixo ou para cima. Segundo o BC, os riscos inflacionários para este ano estão relacionados a “hipótese do retorno da tributação federal sobre combustíveis nesse ano e dos efeitos inerciais da inflação de 2022″.
De acordo com o Banco Central, esses efeitos são contrabalançados pela política monetária, “embora não de forma integral, em virtude das diferenças temporais entre os impactos dos choques, de prazo mais curto, e os efeitos da política monetária, mais concentrados no médio prazo”. Campos Neto afirma que o Copom tem dado ênfase ao horizonte de seis trimestres à frente, que reflete o chamado horizonte relevante, suaviza os efeitos diretos decorrentes das mudanças tributárias, mas incorpora os seus impactos secundários.
A carta vem ainda com alerta para o próprio Haddad. Segundo o documento, “a política fiscal pode afetar a inflação não só por meio dos efeitos diretos na demanda agregada, como também via preços de ativos, grau de incerteza na economia, expectativas de inflação e taxa de juros neutra”. A autoridade monetária também chama atenção para o que chama de “mudanças em políticas parafiscais” e ou a reversão de reformas estruturais “que levem a uma alocação menos eficiente de recursos podem reduzir a potência da política monetária”. Haddad deve apresentar nos próximos dias qual deve ser o caminho da âncora fiscal que irá substituir o teto de gastos na gestão de Lula.
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