Santa Catarina e a Greve dos Caminhoneiros


A paralisação nacional dos caminhoneiros trouxe diversas consequências para os catarinenses. Ao mesmo tempo em que a categoria já conquistou algumas de suas reivindicações, como a isenção do tributo Cide, as dezenas de bloqueios continuam aumentando nas rodovias do Estado e afetam serviços essenciais em alguns municípios.

A situação mais grave é a falta de combustível, principalmente no Oeste. O município de São Lourenço do Oeste, por exemplo, não tem mais gasolina nem diesel desde terça-feira. Em São Miguel do Oeste e Chapecó também começa a faltar combustível. Nesta quarta-feira (23) motoristas enfrentaram filas nos postos das cidades para tentar garantir gasolina antes de haver um possível desabastecimento.

Serviços:

Alguns órgãos do poder público começaram a limitar os serviços por conta da paralisação dos caminhoneiros. A Prefeitura de Criciúma suspendeu todos os trabalhos "que não forem essenciais e que utilizam combustível", como a atividade de máquinas pesadas e caminhões em trabalhos sem urgência.

Outro serviço que será limitado é dos Correios. A instituição suspendeu temporariamente as postagens de encomendas com dia e hora marcados, como Sedex 10, Sedex 12 e Sedex Hoje. A estatal divulgou um comunicado oficial no qual considera que "os Correios também estão sendo seriamente atingidos" e que "haverá o acréscimo de dias no prazo de entrega das correspondências enquanto perdurarem os efeitos desta greve".

Protestos:

Os caminhoneiros estão mobilizados em 51 trechos do Estado durante a manhã desta quarta-feira — sendo 36 em rodovias federais e 15 em estradas estaduais. O número tem variado, com o crescimento das manifestações em novas regiões e a desmobilização em outros locais. A rodovia com o maior número de bloqueios até o início da tarde desta quarta-feira é a BR-101.

De acordo com os agentes rodoviários, os manifestantes continuam obstruindo apenas a passagem de veículos pesados, os quais são obrigados a parar e convidados a aderir ao movimento. Carros, motos e ônibus têm o trânsito liberado nos bloqueios, mas precisam enfrentar lentidão no trânsito por conta dos caminhoneiros que ocupam a pista.

As empresas de ônibus de turismo de Santa Catarina também devem realizar protesto amanhã em Biguaçu. De acordo com Nilton Pacheco, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Turístico e Fretamento de SC (Sinfrettusc), cerca de 150 veículos devem sair em carreata pela BR-101 em "protesto contra os aumentos abusivos dos combustíveis e a alta tributação".

Reivindicações:

A principal conquista da categoria até agora foi a isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), um dos tributos que incide sobre o diesel. O decreto da medida, no entanto, depende ainda da aprovação da reoneração da folha de pagamento de outros setores, que devem perder benefício do desconto a partir de dezembro de 2020.

Ainda há outra medida que o grupo reivindica, que é o fim da alíquota de PIS/Pasep e Cofins na venda do diesel. De acordo com os manifestantes, os impostos representam cerca de 40% de todos os custos que envolvem o serviço dos caminhoneiros autônomos.

Os combustíveis também tiveram redução pelo segundo dia seguido. A partir de quinta-feira, o valor do diesel nas refinarias passará de R$ 2,3351 para R$ 2,3083, em redução de 1,15%. Já o valor da gasolina deve cair 0,62%, passando a custar R$ 2,0306. A medida, entretanto, não é uma resposta às manifestações, e sim o movimento de mercado causado pela Nova Política de Preços da Petrobras.

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