Eleições 2018 - Debate TV Gazeta: Guilherme Boulos (PSOL)
Confira as propostas apresentadas pelos candidatos durante o debate deste domingo (09/09) na TV Gazeta promovido pela emissora, pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e rádio Jovem Pan.
Guilherme Boulos (PSOL):
Redução de Juros - "O Brasil se tornou um paraíso dos banqueiros. É impressionante, uma verdadeira Disneylândia financeira. Banco aqui faz o que quer. Esses dias estava dialogando com um economista, e ele me contou o exemplo do banco Santander. Para uma mesma linha de crédito, na Espanha, sua matriz, cobra juro zero e, no Brasil, cobra 140%. Nós vamos acabar com a farra dos bancos. Primeiro, em relação à 'bolsa banqueiro', que são os juros abusivos que se cobra para a dívida pública no Brasil e que levam mais de R$ 400 bilhões ao ano. Enfrentando a 'bolsa banqueiro', nós temos condição de investir no social, investir em educação, saúde, moradia popular e em tudo o que o Brasil precisa. Segundo, baixando o juros que você paga no seu cartão, no cheque especial. Vamos fazer isso através dos bancos públicos, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Se a Caixa Econômica e o Banco do Brasil baixam os juros, os bancos privados têm que vir atrás, senão perdem a clientela. Assim vamos enfrentar a farra dos bancos, um clube dos privilegiados que acham que mandam no país."
Combate à 'Radicalização' na Política - "Primeiro, nós temos que diferenciar o que é violência e ódio na política e o que é polarização social. Diferença na política é necessária. Quando ela transborda para o ódio, quando a intolerância substitui o argumento, isso é inadmissível. Aliás, nós fomos as maiores vítimas disso. Essa semana faz seis meses do assassinato covarde da Marielle Franco, nossa companheira de partido, sem que a gente saiba quem matou e quem mandou matar a Marielle. Essa pergunta segue no ar. A própria caravana do ex-presidente Lula foi atingida a balas e houve um silêncio geral de alguns setores da sociedade. O senhor Jair Bolsonaro agora sofreu também um ataque e nós repudiamos. Porque todas as diferenças que eu tenho com o Bolsonaro, nós não vamos resolver isso na violência. Nós vamos resolver isso na diferença política. Agora, nós precisamos tratar uma coisa aqui. Querer achar o pai da polarização sem entender a sociedade brasileira é hipocrisia. Numa sociedade em que seis bilionários têm mais que 100 milhões de pessoas, um abismo brutal de desigualdade, nós vamos resolver a polarização não apenas com palavras. Nós vamos resolver enfrentando esse abismo social, enfrentando as desigualdades e o sistema de privilégios que vigora nesse país. Para isso tem que ter coragem, para isso não pode ter rabo preso. Agora, isso se faz no âmbito da política, no âmbito da mobilização, não no âmbito da violência."
Terras Indígenas - "Nós vamos demarcar terras indígenas e quilombolas nesse país. Não é possível mais que o Brasil aplique um modelo de desenvolvimento que só pense em crescimento econômico que enche o bolso de alguns e nem se distribui renda e ainda se passa por cima das florestas e dos povos originários. Nós não vamos fazer desse jeito. Nós vamos combinar desenvolvimento econômico com desenvolvimento social com sustentabilidade ambiental. Isso passa pela demarcação de todas as terras indígenas e quilombolas. E barrar essa tese absurda do marco temporal, que quer que as terras indígenas apenas até a Constituição de 1988 sejam consideradas. Não! Os indígenas terão seus direitos garantidos, junto com uma política que não vai estar voltada para o agronegócio. Tem gente que diz que o agronegócio que carrega o Brasil nas costas. Não é assim não, é o Brasil que carrega o agronegócio nas costas, com subsídios absurdos, com desonerações sem limite. No nosso governo, nós vamos valorizar agricultura familiar, com projeto de reforma agrária, agroecológica. Vamos demarcar as terras indígenas, as terras quilombolas e assegurar o direito à terra para quem a ela pertence. E não fazer uma política que só vai dar crédito, desoneração para o agronegócio que só desmata. Por isso nosso governo também terá o compromisso com o desmatamento zero."
Igualdade Salarial, Educação e Teto de Gastos - "Vamos criar a lista suja do machismo. Qualquer empresa que pague menos para mulher do que para homem não vai poder fazer crédito em banco público, não vai poder fazer negócios com o Estado e vai ter seu nome exposto em praça pública. Segundo, o sistema não quer que a gente conheça nossos direitos. O problema do descaso com a educação não é um acaso, o problema do descaso com a educação é uma política exatamente para que a educação continue precária e as pessoas não tenham consciência sobre o que acontece. Esta é a lógica do sistema. Por isso, temos de trabalhar na linha, de um lado, de investimento, revogando o teto de gastos absurdo. Quem vier aqui dizer que vai investir em educação e não se comprometer com o fim do teto de gastos está mentindo. Segundo, vamos trabalhar também em relação ao currículo. Educação tem que preparar para a vida, não apenas para fazer uma prova no final do ano. Nossos jovens se evadem porque a educação não tem o currículo que os interesse. O professor não é valorizado. Temos de tratar dos grandes temas na escola, fazendo uma reforma curricular, trazendo o pensamento crítico de volta."
Considerações Finais - "Quero agradecer a você, Maria Lyidia, agradecer aos organizadores do debate. E, principalmente, agradecer a você que está em casa nos assistindo nesta noite de domingo. O Brasil vive uma grave escalada de ódio e de violência. O assassinato da Marielle Franco vai fazer seis meses e nós não sabemos quem matou, quem mandou matar. Os tiros na caravana do Lula. E agora uma campanha eleitoral cheia de ódio com o episódio que aconteceu na semana passada. Esse sistema, esse sistema do ódio, da violência, da morte, é o mesmo sistema dos privilégios, da desigualdade, da indiferença. A gente foi perdendo, isso não é de hoje, as pessoas perderam a capacidade de se colocar no lugar das outras. As pessoas passam, vem alguém na calçada, sem-teto, com fome, e passam reto. Como se ali não tivesse alguém. As pessoas se tornaram invisíveis. Uma criança chega num semáforo e alguém no carro fecha o vidro. A gente foi perdendo a capacidade de solidarizar. A crise no Brasil é profunda, não é apenas uma crise econômica, não é apenas uma crise política. É uma crise de destino. É uma crise ética. E eu sou o único candidato com condições de enfrentar esse sistema. Porque não tenho rabo preso. Sou o único candidato que posso restaurar a solidariedade como modo de fazer política. Por isso [quando] chegar no dia 7 de outubro, vote PSOL, vote Boulos 50, vote contra o sistema."
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Eleições 2018 - Debate TV Gazeta: Guilherme Boulos (PSOL)
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